O governo central alcançou um superávit primário de R$ 10,783 bilhões no mês de julho, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27). O resultado ficou dentro do esperado pelo mercado e representa uma melhora significativa em comparação ao déficit de R$ 59,070 bilhões registrado no mesmo período de 2025. O saldo positivo reflete uma dinâmica específica nas contas públicas que merece atenção para o entendimento do cenário fiscal atual.
Para compreender o desempenho, é preciso notar que o resultado abrange as contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social. O cenário favorável em julho foi impulsionado por receitas líquidas que somaram R$ 226,305 bilhões, um crescimento real de 7,7% em relação ao ano anterior. Paralelamente, houve uma redução de 20,7% nas despesas totais, que ficaram em R$ 215,522 bilhões, ajudando a equilibrar o caixa da União.
Um dos principais fatores para essa queda nas despesas foi a mudança no calendário de pagamentos de precatórios — dívidas do governo reconhecidas pela Justiça. Enquanto no ano passado os desembolsos foram concentrados em julho, neste ano eles foram antecipados para março. Como resultado, o governo gastou R$ 37,1 bilhões a menos com sentenças judiciais neste mês. Além disso, a arrecadação foi beneficiada por ganhos com a exploração de recursos naturais, como o petróleo, e pelo aumento na arrecadação de Imposto de Renda.
Embora o resultado mensal tenha sido positivo, o quadro acumulado do ano ainda reflete desafios. De janeiro a julho, o governo central acumula um déficit primário de R$ 81,305 bilhões, valor superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025. Em um horizonte de 12 meses, o déficit soma R$ 71,6 bilhões, o que corresponde a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.




