A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou formalmente ao governo brasileiro a adoção de medidas retaliatórias contra a União Europeia, após o bloco confirmar a suspensão das importações de carnes do país. O embargo, que entra em vigor nesta quinta-feira, motiva uma resposta estratégica do setor agropecuário, que busca compensações comerciais diante das perdas projetadas no mercado internacional.
O impasse teve início após a União Europeia alegar que o Brasil não atende às exigências do bloco quanto ao uso de substâncias antimicrobianas em produtos de origem animal. Em resposta, o presidente da CNA, João Martins, enviou um ofício ao Itamaraty solicitando o uso do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC). Esse dispositivo permite ao Brasil exigir reparações, como a suspensão de benefícios tarifários concedidos anteriormente aos europeus, visando equalizar o impacto econômico causado pela interrupção das vendas.
Dados do governo indicam que, apenas com carnes bovina e de frango, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão para a União Europeia no ano passado. Paralelamente, a CNA também solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação rigorosa sobre o azeite de oliva importado. A entidade questiona a qualidade e a classificação dos produtos que chegam ao mercado interno, destacando que 89% das quase 90 mil toneladas importadas pelo Brasil em 2025 foram provenientes de países europeus, como Portugal, Espanha e Itália.
A CNA argumenta que possíveis divergências entre a classificação declarada na importação e a real qualidade do azeite, especialmente o rotulado como extravirgem, prejudicam a concorrência leal e a produção nacional. Até o momento, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não se manifestaram sobre as solicitações da entidade. O cenário atual mantém em alerta exportadores brasileiros e autoridades do setor enquanto aguardam os próximos desdobramentos diplomáticos e comerciais.




