O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, resultado que superou levemente as expectativas do mercado. Apesar do número positivo, especialistas apontam que a desaceleração do consumo das famílias e a forte dependência de setores específicos trazem preocupações importantes para a sustentabilidade da economia brasileira nos próximos meses.
Segundo Juliana Trece, coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre, a retração no consumo das famílias surpreendeu, já que o mercado de trabalho aquecido deveria ter sustentado esse componente. O cenário atual é de juros elevados e famílias endividadas, o que restringe o poder de compra. Mesmo com medidas como o programa Desenrola 2.0 e estímulos de ano eleitoral, o comportamento dos consumidores não reagiu como o esperado.
Os dados indicam que o crescimento econômico tem sido impulsionado principalmente pelo agronegócio e por setores menos sensíveis aos juros, como tecnologia e comunicação. Por outro lado, atividades ligadas ao comércio e serviços registraram estagnação, com variação de 0%. O alerta é que essa dependência excessiva do setor agropecuário coloca o país em risco caso ocorram mudanças climáticas ou oscilações no mercado internacional.
Para o FGV Ibre, a solução passa pela necessidade urgente de um ajuste fiscal que ajude a reequilibrar as contas públicas e estimule o investimento privado. Embora uma recessão seja descartada no momento, a projeção é de uma economia em estabilidade com crescimento próximo a zero nos próximos trimestres. O desafio central permanece em romper o ciclo vicioso de juros altos e dependência de estímulos fiscais.




