HomeBrasilJuros a 6%: economista avalia viabilidade e exigências fiscais

Juros a 6%: economista avalia viabilidade e exigências fiscais

A proposta do candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) de reduzir a taxa básica de juros para o patamar de 6%, mantendo a inflação entre 3% e 4%, movimentou o debate econômico recente. A viabilidade dessa meta é tecnicamente possível, mas especialistas alertam que a medida não depende apenas de vontade política, estando diretamente atrelada a mudanças estruturais nas contas públicas do país.

Segundo Tiago Sbardelotto, economista da XP, o Brasil já alcançou taxas de 6% no passado, período em que o teto de gastos atuava como uma regra rígida de contenção de despesas. Esse mecanismo permitiu que a taxa de juros neutra — aquela que não acelera nem freia a economia — diminuísse, dando ao Banco Central maior margem para promover cortes nos juros básicos sem comprometer o controle da inflação.

O principal obstáculo atual, conforme destaca Sbardelotto, é o elevado nível de endividamento público. Como o governo precisa de volumes crescentes de recursos para se financiar, a disputa por verbas acaba pressionando o custo do dinheiro, o que eleva a taxa de juros neutra e limita o espaço para reduções significativas por parte do Banco Central. Sem um controle efetivo sobre os gastos, o cenário torna-se mais complexo para atingir metas ambiciosas.

Para que uma queda mais expressiva nos juros seja sustentável, o economista aponta que o país precisaria implementar reformas profundas e impopulares. Entre as medidas citadas estão uma nova reforma da Previdência, a desvinculação de gastos ao salário mínimo e o combate aos supersalários no setor público. O especialista reforça que essas mudanças são necessárias para melhorar a trajetória da dívida e criar condições reais para a redução dos juros no longo prazo.

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