O governo federal promove um evento nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, para oficializar a notícia de que a fila do INSS foi zerada. Apesar do anúncio, o número real de pessoas que aguardam uma resposta para seus pedidos de benefícios permanece na casa dos milhões, gerando questionamentos sobre a forma como a contagem é feita pelos órgãos oficiais.
A estratégia do Poder Executivo para afirmar que a fila acabou se baseia em um critério específico: a exclusão de todos os requerimentos que aguardam análise por um período inferior a 45 dias. O governo sustenta que esse prazo é considerado normal para o fluxo administrativo do Instituto Nacional do Seguro Social, mantendo assim esses processos fora da contagem oficial de represamento.
Dados divulgados pelo INSS apontam que 1,282 milhão de pessoas ainda aguardavam o retorno de seus pedidos até o dia 24 de agosto. Contudo, em termos de processos que ultrapassam os 45 dias de espera, o número registrado em agosto foi de 261 mil — uma queda de 86% em relação a janeiro deste ano. O governo argumenta que houve um aumento expressivo na média mensal de concessões de benefícios, que atingiu 730 mil por mês entre janeiro e julho.
O tema, no entanto, segue sob atenção de órgãos de controle. O Tribunal de Contas da União (TCU) manteve o sistema de concessão de benefícios previdenciários na Lista de Alto Risco da administração pública, citando problemas operacionais e o aumento no volume de requerimentos indeferidos, que cresceu 70% entre janeiro e maio de 2026. Segundo técnicos do tribunal, embora o governo tenha implementado planos de emergência, as vulnerabilidades no serviço ainda não foram totalmente superadas.




