O mercado imobiliário brasileiro enfrenta um momento histórico com a queda acentuada na oferta de imóveis voltados para a classe média. Apartamentos com preços entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, que antes dominavam mais da metade das vendas no país, tornaram-se raros. Essa escassez preocupa o setor e reflete um cenário de desafios econômicos que dificultam o acesso das famílias à casa própria.
Dados da consultoria Brain Inteligência Imobiliária mostram que esse segmento sofre quedas consecutivas há quatro anos. Atualmente, os lançamentos nessa faixa representam apenas 18,9% do total nas capitais. Especialistas apontam que a combinação de juros altos, encarecimento dos custos de construção e o elevado nível de endividamento familiar tem forçado as construtoras a reduzirem drasticamente a oferta de novos empreendimentos para esse público.
O impacto dos juros é um ponto central, pois eleva diretamente o valor das parcelas do financiamento, reduzindo a capacidade de compra dos consumidores. Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cada aumento de 1 ponto porcentual na taxa de juros retira cerca de 1,3 milhão de pessoas do mercado. Além disso, a inflação acima da média em materiais e mão de obra, somada à alta no preço dos terrenos, tornou o custo de produção proibitivo para muitos projetos.
A situação é agravada pelo comprometimento da renda das famílias com outras dívidas, o que dificulta a aprovação de novos créditos imobiliários. Com o preço médio dos imóveis nas capitais subindo 16% nos últimos 12 meses, segundo a Abecip, o cenário atual mostra um mercado que prioriza extremos — o segmento de luxo ou o econômico — deixando a classe média com poucas opções de moradia.




