A inadimplência no Brasil subiu para 29,9% em agosto, conforme aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento revela que a parcela de famílias sem condições de quitar contas atrasadas alcançou 12,5%, o nível mais alto registrado desde fevereiro deste ano.
Embora o endividamento total tenha se estabilizado em 82%, o cenário preocupa devido ao aumento do tempo médio de atraso, que subiu para 65 dias. A CNC destaca que as famílias estão com menos controle sobre o orçamento, mesmo com a oferta de prazos maiores. A expectativa da entidade é que o índice de inadimplência continue crescendo ao longo do próximo trimestre, enquanto o endividamento geral pode apresentar uma redução gradual.
O impacto da crise financeira é desigual e recai principalmente sobre a população mais vulnerável. Famílias com renda de até três salários mínimos registraram crescimento tanto no endividamento quanto na dificuldade de quitar débitos. Em contrapartida, grupos com renda entre cinco e dez salários mínimos apresentaram queda nesses indicadores, evidenciando uma melhora na capacidade de pagamento entre os estratos sociais com maior poder aquisitivo.
A situação de aperto financeiro é confirmada pelo aumento das famílias que possuem mais da metade da renda comprometida com dívidas, chegando a 19,2%. Além disso, cresceu a parcela de pessoas que se sentem “muito endividadas”. O cenário aponta para um desafio crescente no orçamento doméstico, especialmente para quem depende do crédito para manter o consumo básico.




